sábado, 25 de agosto de 2012

MEU MELHOR AMIGO

Nos dias de brumas minha negatividade transborda, devastando leitos e castrando castelos suspensos. A culpa incerta me desconecta do verossímil, do sóbrio; desabilita e “despluga” minha fraternidade latente.
Busco então, atropelando os gatos no corredor da casa velha e recém incendiada, a chave que destravaria o santuário onde se encontra a capa da invisibilidade.
Se me falta ópio, as letras nas linhas tortuosas também me servem.
Se a auto aversão persiste, no entanto, de nada adianta a ordem e o progresso.
Se a decência evapora rapidamente, sobram-me os algozes insolentes, que nada representam nos dias de névoa e desconexão do circuito de raiva.
A indiferença mantém-se enquanto o celular toca. Não há como fugir dessa realidade, como evitar encontrar um intermediário fulgurante entre os homens e as coisas divinas, sentir-se completo diante das suas súplicas e sacrifícios, obrigando-me, por fim, a participar da gênese do amor e da transcendência que você representa.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

R.E.M




Os pesadelos ensaiam aos pés de nós vítimas voláteis.
Recusar a verdade, aceitar a mentira, fingir diante do grande público que também geme, inquieta-se, a noite com o ranger do R.E.M., é um simples atentado às insônias que não querem se calar.

domingo, 29 de julho de 2012

O Mago





Corri, nadei, fugi... para o meio do nada, onde contemplei a queda de estrelas dum firmamento simbólico, parecido com os tapetes vermelhos que pisas.
Mas agora estou bipolarmente feliz... almoçar na casa de alguém é a morfina que você não pode me retribuir.
Sou um distúrbio no seu jardim, então é melhor você se esconder.
Cedo ou tarde você terá que me ver escandescer, como um “little boy” só seu, em plena segunda-feira, florescer, em um turbilhão de revelações e desolações.
Que escolha eu tenho? Assinale você. Somos tolas vítimas genocidas apaixonadas, guerreiros de Cnido, misturados ao sacrifício de “mil bois”.
Brotando das almas transceptivas e imperfeitas, o rádio ecoa nossa canção. Que lindo domingo! As letras oscilantes lembram-me de que são feitas as verdades e as mentiras, convertidas em corrente elétrica, viajando no espaço, pulando, modulando de coração em coração.
Meu coração pulsa em ondas sonoras, ondas de vida, ondas de morte, propagadas, quase sem querer, no seu espaço, órbita cortante e inconstante.
Gostaria, imensamente, de pouco esticar meus braços, e ter que puxar do bolso o resultado do meu acometimento, bendito prognóstico, todos os “marlboros”, que não são poucos nem tímidos. Até quatro, aliviaria a distimia; uns oito, aplacaria a minha hipomania esotérica.
Mas o Mago diz que não é tão simples assim. É preciso recomeçar a caminhada. Vislumbrar sempre a taça, o punhal, o pergaminho e a moeda... e buscar, mesmo sem querer, evoluir para melhor, imediatamente.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Pêndulo



"A vida oscila, como um pêndulo, entre a dor e o tédio" (SCHOPENHAUER).

sábado, 9 de junho de 2012

Furacão Confesso



Eu tenho alguém para culpar.
De quem fugir, me ocultar.
Basta fechar os olhos,
deixar-se levar pelo furacão de tormentos e ilusões,
bem lá no olho.
Juntamente com todos os elementos animados:
água, fogo, terra e ar;
luz e trevas,
numa possessão confessa,
para sempre eterna.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

LIMBO




As idéias giram, giram em minha cabeça.
Atravessam-me, serpenteando,
e a cada momento ecoam esperando respostas.
Nada está muito claro,
eu tenho me perdido no limbo dessas emoções e devoções.
Tudo é sem forma e indefinido.
Onde fica nossa casa?
Ontem, agora, e não mais amanhã preencherão os álbuns de fotografias.
Nada além das tatuagens, nem mesmo os quadros castos da parede.
Meu coração pertence a algum lugar?
Desde quando cruzar o universo deixou de ser um sonho?
Inadvertidamente você se tornou um herói.
De generosidade inquestionável.
Eu já disse, as ideias giram... mastigam como uma fita cassete,
e remoem sem piedade a inquietude desse amor que resiste à quarentena.

domingo, 6 de maio de 2012

Censura



As interferências dos governos e dos políticos brasileiros serão uma grande ameaça à internet e a democracia que ainda vem se consolidando em nosso país. A censura na web é um sonho para muitos políticos corruptos. 
Os governos estão percebendo o poder deste instrumento de transformação social e tentarão reprimi-lo a qualquer custo.